Editorial

Desde os 11 anos, quando o saudoso Tio Magno me apresentou formalmente ao rock'n roll, eu já ouvia falar da sua morte anunciada. Felizmente o tempo segue contradizendo os boatos e o rock vai sobrevivendo e se solidificando. Continua sendo uma linha mestra para o seu público segmentado, uma mina de ouro a quem o explora de forma inteligente e uma dor de cabeça para quem por ele é criticado. Insiste em ser campeão de rentabilidade em turnês, vendas e downloads. Não cansa de ditar ideologias, comportamentos e movimentos. Apesar de uma expansão cada vez maior de outros sons e tendências, segue solitário na capacidade de criar ideologias, movimentar multidões em prol de um objetivo e fazer a gente se divertir e pensar ao mesmo tempo. Este blog é a minha maneira de agradecer ao rock'n roll pelos arrepios, suspiros, lágrimas e alegrias a mim proporcionadas até hoje. Aqui podemos discutir o rock de uma forma geral, analisar e debater seus fatos e ícones, seja por lazer ou mesmo como exercício crítico. Interaja! Mande suas postagens e sugestões, passe o blog a quem gosta de rock. Toda participação é bem vinda!! Longa vida ao rock’n roll e bom divertimento a nós todos!!

17 novembro 2010

CREEDENCE CLEARWATER REVISITED – REVIEW DE SHOW - PORTO ALEGRE, 15/11/2010.

Creedence Clearwater Revisited - 15/11/10 - Porto Alegre


Segunda-feira, indo para Porto Alegre ver o Creedence, começou a tocar no CD do carro a lindíssima “Long As I Can See The Light”, deles. Olhei para a camiseta que estava levando para o show (da banda, obviamente), e minha mente começou a voar.


Imediatamente recordei quantas bandas cover assisti na minha vida “boêmia”, e quantos por cento delas fizeram releituras do Creedence. “Proud Mary”, “Hey Tonight”, “Have You Ever Seen The Rain”, “Who Will Stop The Rain”, “Green River”... Imagens vieram à minha cabeça: as capas dos discos do Creedence que meu tio me apresentou no final dos anos 80; os CD's “Chronicals Vol. 01 e 02”, que nove em cada dez roqueiros com mais de 30 anos com certeza possuem...


Só aí caiu a ficha: faltavam instantes para estar pertinho daqueles caras que praticamente me debutaram no rock'n roll e que criaram todos esses sucessos... Pensei em quão imortal é uma banda para continuar arrastando seguidores pelo mundo mesmo 38 anos após ter se separado, e dei um amplo sorriso pela oportunidade que estava por ter.


Ao chegar no teatro e entrar na pista, confesso que me senti muito à vontade, por ter a impressão de estar em um grande bar: encontrei amigos, observei toda aquela galera se espremendo na beira do palco, tomando cerveja e conversando sobre trivialidades enquanto aguardavam a banda. Como eu já imaginava, estavam lá muitos motoqueiros e roqueiros de camiseta preta, alguns hippies e yuppies, outros poucos carinhas engravatados... O Creedence é universal, assim como os Beatles e os Rolling Stones: agrada pobres e ricos, homens e mulheres, selvagens e domesticados, jovens e não tão jovens assim...


Seis minutos após o anúncio da banda, que aconteceu pontualmente às 21h, os membros originais do Creedence, Stu Cook (baixo) e Doug Clifford (bateria), acompanhados do guitarrista Tal Morris, do tecladista Steve Gunner e do vocalista John “Bulldog” Tristão, vieram dos bastidores e abriram com a clássica “Born On the Bayou”.


À propósito, “clássica” é uma palavra que expressa precisamente o repertório dos 91 minutos de show. Todas as músicas foram cantadas do início ao fim pela platéia, que conhecia todos os 19 sucessos da noite.

O espetáculo foi marcado pela intensidade, do público e da banda... O gaúcho tem o rock'n roll na sua essência, e isso ficou claro quando canções mais roqueiras, e não só os maiores hits, empolgaram a platéia. Foram os casos de “I Heard it Trough The Grapevine” e “Susie Q.”, esta com uma performance sensacional do inspirado guitarman Tal Morris.


Obviamente o momento que o teatro veio abaixo foi quando, no bis, a banda anunciou e tocou “Have You Ever Seen The Rain”. Da mesma forma, muitos foram às lágrimas no momento em que o baixista e o baterista relembraram Tom e John Fogerty, os outros membros originais da banda, e celebraram com um forte abraço 52 anos de amizade e convivência profissional.


O set list completo foi o seguinte: Born on the Bayou, Green River, Cotton Fields, Commotion, Who Will Stop The Rain, Susie Q., Hey Tonight, Long As I Can See The Light, Down on The Corner, Looking Out My Back Door, I Heard it Trough The Grapevine, The Midnight Special, Bad Moon Rising, Proud Mary, Fortunate Son. Bis: Have You Ever Seen The Rain, Travelin' Band, Good Golly Miss Molly e Up Around The Bend.

Na volta, novamente o “shuffle” do som do carro me premiou com o Creedence (desta vez “Walk On The Water”), e o sentimento saudosista da ida foi substituído pela satisfação de um garoto que acabou de comer um enorme pirulito colorido.


Concluí que o Creedence é eterno, seja na formação original, seja apenas com dois membros natos, ou até mesmo nas bandas de cover dos bares da vida... Afinal, citando Carlos Drummond de Andrade, “eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica e nenhuma força jamais o resgata...”.


Abaixo, um vídeo do Creedence Clearwater Revival, tocando “Fortunate Son” no Ed Sullivan Show, há exatos 41 anos (16 de novembro de 1969). Abraços a todos!!


4 comentários:

Luciano disse...

Aeeee
como dizem alguns buttons por aí, o Paul me deixou mais pobre (só no sentido financeiro mesmo hehe) então perdi essa. Pela tua descrição, me senti no show. Muito bom Creedence, assisti em POA lá pelos idos de 2001, no opinião, com o Bolão e o Enio. Abraço!! JAmes

Anônimo disse...

Grande James!
Valeu o post...
O Bola me contou sobre o show de 2001. Brincando, ele disse: "Bah, esse batera melhorou muito... Em 2000 não tocava nada..." Hahahaha...
Abraço!
Max.

Delano Brandelli Pieta disse...

Lembrando épocas de bandas cover, tomando a velha e boa cuba libre. Creedence é eterno mesmo, Max! Grande post sobre o show! Abração!

Anônimo disse...

amigo nao e o tal o guitarrista da tour 2010 e sim o grande guitarrista Elliot Easton grato