Editorial

Desde os 11 anos, quando o saudoso Tio Magno me apresentou formalmente ao rock'n roll, eu já ouvia falar da sua morte anunciada. Felizmente o tempo segue contradizendo os boatos e o rock vai sobrevivendo e se solidificando. Continua sendo uma linha mestra para o seu público segmentado, uma mina de ouro a quem o explora de forma inteligente e uma dor de cabeça para quem por ele é criticado. Insiste em ser campeão de rentabilidade em turnês, vendas e downloads. Não cansa de ditar ideologias, comportamentos e movimentos. Apesar de uma expansão cada vez maior de outros sons e tendências, segue solitário na capacidade de criar ideologias, movimentar multidões em prol de um objetivo e fazer a gente se divertir e pensar ao mesmo tempo. Este blog é a minha maneira de agradecer ao rock'n roll pelos arrepios, suspiros, lágrimas e alegrias a mim proporcionadas até hoje. Aqui podemos discutir o rock de uma forma geral, analisar e debater seus fatos e ícones, seja por lazer ou mesmo como exercício crítico. Interaja! Mande suas postagens e sugestões, passe o blog a quem gosta de rock. Toda participação é bem vinda!! Longa vida ao rock’n roll e bom divertimento a nós todos!!

31 maio 2011

ROCK IN RIO – I MISS YOU...


Minha amiga Manô foi brilhante e escreveu quase tudo o que eu queria falar sobre o assunto em seu blog (http://manoyellow.blogspot.com). Todavia, quem me conhece sabe que eu não sossegaria se não opinasse a respeito.
Desde que começaram as especulações sobre atrações do Rock in Rio, ainda em 2010, comecei a indagar: qual seria a chance desta edição do festival ser a mais roqueira de todos os tempos?
Imediatamente meu lado camisa preta gritou: cara, 100%!!!! Iria ser dureza superar as edições anteriores, em especial a de 1985, mas havia a real possibilidade disso acontecer! Afinal de contas, nomes como Rush, Paul McCartney, Eric Clapton, Roger Waters, Pearl Jam, AC/DC, Metallica, Ozzy Osbourne, Neil Young e Megadeth, entre muitos outros, seguiam na ativa e poderiam estar na estrada em 2011...
Também pensei que, levando em conta os outros festivais, dificilmente Guns, Iron e Chilli Peppers estariam fora da lista de atrações. Beleza, legal... Eles estariam bem encaixados com quatro ou cinco dos que listei acima. Já teríamos um festival com sete ou oito nomes de peso, como na primeira edição.
No mais, as bandas modernas que suprem a necessidade de rejuvenescer o público e uns ou outros caras do paupérrimo rock nacional de hoje completariam o line up. Todos ficariam contentes... Teríamos um festival sensacional, que honraria seu nome e seu passado, e que agradaria gente dos 15 aos 60 anos.
Entretanto, à medida que cada uma das atrações era oficialmente anunciada o sonho ia morrendo... Ao invés de Angus, Ozzy, Paul ou Vedder, os assentos desse trem foram sendo tomados por extraterrestres ao rock ou por seres roqueiros bem menos significantes. Cheguei a esperar por passageiros coloridos ou mesmo por uma chuva de meteoros, mas felizmente fui poupado dessa...
Não tenho nada contra a música pop, o axé, ou qualquer outro ritmo diferente do rock’n roll.
Agora, imaginem o grau de estranheza de termos Metallica & Vitor e Leo como atrações de um festival sertanejo, ou de Roger Waters montar seu muro em um trio elétrico... Maluquice, não é? E quanto isso é diferente de Shakira e Kate Perry sendo atrações em um festival de rock?
O Rock in Rio conseguiu essa excentricidade: é um restaurante chinês, com nome chinês e lanternas chinesas, mas que serve comida alemã...
Felizmente o Rock in Rio já foi mesmo ROCK in Rio, e seu legado ficará para sempre... Abaixo, um dos saudosos momentos da primeira edição do festival. Na noite de 11 de janeiro de 1985, logo depois dos shows do Whitesnake e do Iron Maiden, o Queen apresentou-se diante de 300 mil fãs.
Alguns aclamam a versão de “Love of My Life” desse show como a maior de todas as performances já realizadas no Rock in Rio, e a maior execução desta música pela banda. Concordo em gênero, número e grau, e penso que próprio vídeo me dá razão. Bons tempos aqueles...
Ah... Antes que alguém pergunte, provavelmente não irei ao Rock in Rio. O mesmo valor que eu gastaria para estar lá foi suficiente para assistir U2, Ozzy e John Fogerty, além do Clapton, que verei em outubro. Qual das noites do festival bateria essas quatro atrações? Acho que não preciso responder...
Abraços a todos.

7 comentários:

Cristiano disse...

Boa Max! faltou colocar uma tag ROCK IN RIO - não vou!!!

Bom esse Rock in Rio, pouco tem de interessante, mas o primeiro em 1985 foi muito bom. Eu era um piralho e tava aprendendo a ouvir boa música, então conheci Iron Maiden, vi cazuza junto com barão vermelho tocando e arrebentando, aff bom demais. E no ano seguinte teriamos ainda a passagem do cometa Halley, ops não teve! Pelo menos eu não vi!

ni disse...

O Rock in Rio trás o peso de um passado saudoso que eu ñ vivi. É isso que faz acreditar que virá a grande banda, mas ñ veio! Concordo com o post, ta faltando pesos ai no festival, misturar pop com rock com sertanejo..pra mim ñ rola. Acredito que muitas pessoas vão pela purpurina do festival, pra dizer que estiveram lá e ñ pela música em si...enfim, eu prefiro guardar meu dinheiro e ir em shows aleatórios como vc citou, e em SP terá o SWU, vai que ele traga nomes de peso, nunca se sabe...
Ótimo post como sempre!

Max disse...

Grande Cris!
É, cara... Ainda bem que conseguimos viver essa fase maravilhosa, ou ao menos pegá-la a tempo... Triste fim para um festival que já teve Ozzy, ACDC, Yes, Neil Young...
Eu também não vi o Halley.... rsrsrsr
Abraço, mermão.
Max.

Max disse...

Hey Ni!
É... Você tocou no ponto chave... A purpurina do festival... Em 1969 o ingresso para ver as 3 noites de Woodstock, o maior festival de ROCK de todos os tempos, custava 18 dólares. Janis, Hendrix, Creedence, The Who, Joe Cocker... Hoje, pra ver Guns, Motorhead e Metallica e uma penca de bandas menos importantes seriam 220 dólares por duas noites. Alguma coisa está errada... O pior, em termos roqueiros, é que isso decorre das escolhas dos organizadores, e não da falta de opções. Quem sabe o SWU possa fazer um verdadeiro festival de rock’n roll...
Abraço e obrigado mais uma vez pelo comment.
Max.

Cristiano disse...

Ei Max, em 1969 em Woodstock custava 18,00, mas poucos pagaram, a coisa era tão amadora (ou fugiu do controle) que esqueceram de cercar a área do festival...... então foi o que foi. Nada de grana no bolso, aliás nem bolso nem roupa a galera usou!!!! abrasssss....

Anônimo disse...

Palmas pro Max, por mais um post grandioso! Isso completa tudo o que eu queria falar e mais um pouco que eu tinha esquecido!

Vamos guardar nossa grana e poder escolher cada show que é importante assistirmos. Um por vez, com calma.
Abração!
Manô

Danielle Littera disse...

Perfeitas as considerações, mas o que mede essas escolhas é o qto o Medina pretende ganhar com tudo isso.
Não sei se esse estudo foi feito com a sanidade e a verdade necessárias, tbm não sei se explorando só o lado rock de verdade ele iria perder tanto dinheiro assim. Enfim, fico triste e sei que todos acham meio ridículo ver a propaganda onde os metaleiros batem cabeça e o pessoal do pop levanta a mãozinha e todo mundo é feliz num mundo harmonioso e justo.

Calma lá, né? Não é divertido ouvir o que não se quer e isso não combina com um festival de rock.

Enfim...

Um abraço em vc!