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Quarta-feira Porto Alegre recebeu o Guns`n Roses, ou ao menos o que restou dele. Confesso que minha expectativa era muito grande. Afinal, apesar de não ser uma das minhas bandas top top, o Guns foi uma das minhas primeiras referências de rock`n roll, minha adolescência sempre teve os caras na trilha sonora, e essa era a primeira oportunidade que eu tinha para vê-los ao vivo.
Felizmente tivemos uma noite roqueira de alta qualidade. Deixando de lado a questão do vergonhoso atraso já tão comentado, o show foi muito bom. O fato de eu ter ido pra lá de mente aberta, sem querer exigir que o Axl de 2010 fosse igual ao de 1991, ajudou bastante.
Mr. Rose me surpreendeu com uma aceitável performance vocal e muita energia no palco. Li em algum lugar que a voz dele não é mais a mesma, obviamente, mas que seus agudos "seguem como um canivete enferrujado arranhando um muro de metal". Além disso, o cara foi o murrinha gozador de sempre, xingando seu staff nos microfones ao final do show e tirando um boneco de Homer Simpson de dentro das calças durante "Patience". Não podíamos esperar nada diferente dele...
A banda contratada para acompanhá-lo também fez bonito. Os três guitarristas (Richard Fortus, Ron Thal e especialmente D.J. Ashba), deram conta do recado, apesar de esquecerem, às vezes, que Slash era um gênio sem precisar ser tão rápido. O baixista e os tecladistas passaram anônimos mas ficaram acima da crítica, e o batera (o experiente "studio man" Frank Ferrer) esmigalhou, com uma pegada que há muito eu não via ao vivo.
Após abrir com "Chinese Democracy", faixa título do último CD (que merece uma audiçao atenta, diga-se de passagem), a banda foi sabendo mesclar seus hits com outras músicas novas. Logo de saída, "Welcome to the Jungle", "It`s so easy" e "Mr. Brownstone", deixando claro que quase todos os clássicos seriam tocados. E foram... De fora do set list, para minha tristeza, apenas três mais relevantes: "Civil War", "Don`t Cry" e principalmente a insubstituível "Used to Love Her", para mim o melhor som deles.
Outra pequena frustração foi a versão folk demais de "Knockin` on Heavens Door", fugindo do peso que imortalizou a interpretação deles ao clássico de Bob Dylan.
Contudo, o show teve vários momentos inesquecíveis... "Sweet Child O` Mine" executada à perfeição e "Welcome to the Jungle" como se estivéssemos no início dos anos 90, me arrepiaram. "Rocket Queen" e "Live and Let Die" chacoalharam até aqueles que vaiaram as 4 horas de espera. As performances instrumentais também chamaram a atenção pela excelência ou pela peculiaridade. Axl, por exemplo, foi ao piano e arranhou notas de "Another Brick in the Wall".
Outro ponto alto do concerto foi "November Rain". A música, inspirada no conto "Without You" de Del James, emocionou em especial os que tem mais de 30 anos, que com certeza viram, reviram e reviram mais umas 800 vezes o genial clip dela e ouviram milhares de vezes a épica balada.
Deu saudades do tempo em que a MTV ainda tocava música, de quando existiam solos de guitarra nas canções e de quando não éramos obrigados a aturar algumas bandas pop de segunda mão dizer estarem "reinventando" o rock. Que fase...
O som muito bem ajustado e os bons recursos de imagem e pirotecnia ajudaram a fazer com que aqueles 145 minutos passassem voando... Quem foi tem tudo o que falei na memória. Esteve entre nós uma lenda viva do rock, que fez o possível para corresponder à nossa expectativa (excetuando o atraso). A quem não esteve lá, resta imaginar o que perdeu.